Marcelo Barros*
Adital

A ONU propõe que se consagre o dia 15 de maio e toda essa semana para aprofundar o direito da objeção de consciência e divulgar essa atitude pacifista. Só se reconhece a dignidade humana onde a consciência individual e a fé de cada grupo forem respeitadas.
A espiritualidade ecumênica valoriza a obediência, mas a compreende como abertura pessoal e livre que leva as pessoas a escutar interiormente e acolher positivamente a palavra e as propostas de outro. Essa obediência deve ser adulta e responsável. É baseada na liberdade do coração. Realiza-se através do diálogo franco e aberto. Se for assim, a obediência não infantiliza, nem constrange. Ao contrário, conduz a pessoa a superar seus limites e a aventurar-se nos caminhos do amor. Essa forma de obedecer é crítica e amorosa. Propõe a colaboração mútua no lugar da competição e contém um elemento subversivo à mesquinhez do mundo.
A ciência e a arte de viver têm progredido mais por conta das pessoas que ousam desafiar as leis e inovar os costumes do que pela ação das que simplesmente seguem caminhos convencionais. A objeção de consciência é a atitude de quem, por convicção religiosa, social ou política, se nega a pegar em armas e a participar de guerras ou atos violentos.
Homens e mulheres, admirados no mundo inteiro, alguns até premiados com o Nobel da Paz, foram ou ainda são, em seus países, considerados como rebeldes e desobedientes. Para os católicos, muitos mártires são testemunhas da fé. Foram condenados à morte por se negar a reconhecer o imperador como divino; Outros, por objeção de consciência ao serviço militar. Do ponto de vista da fé, são santos, mas a sociedade da época os condenou como desrespeitadores das leis e até criminosos.
Todas as pessoas têm direito e dever de opor-se determinadamente a cumprir uma lei que fere a consciência individual e comunitária. A violência, mesmo se é institucional, nunca será capaz de construir um mundo de paz e justiça.
Em alguns países, as pessoas exigem o direito de saber a destinação exata do pagamento de seus impostos. Se a objeção de consciência é direito de toda pessoa diante do poder social e político, com maior razão ainda, religiões e Igrejas deveriam reconhecer o direito à dissidência e à objeção de consciência diante de um poder religioso autoritário ou, por qualquer razão, injusto. Conforme a Bíblia, quando as autoridades de Jerusalém proibiram os apóstolos a falar no nome de Jesus, estes responderam: "Entre obedecer a Deus e aos homens, é melhor obedecer a Deus”(At 5, 29).
O que, na Bíblia, caracteriza a fé cristã é o aprendizado da liberdade interior e social. Paulo escreveu aos gálatas: "Foi para que sejamos livres que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1. 13).
*Monge beneditino e escritor, é autor de 44 livros, entre os quais "A Festa do Pastor", romance sobre o Pentecostalismo. Ed. Rede-Goiás.















